Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por um terço de todas as mortes de mulheres no mundo. Isso representa, aproximadamente, 8,5 milhões de óbitos por ano — mais de 23 mil por dia. As doenças cardiovasculares matam mais que o câncer de mama em mulheres.
“O risco de morte por infarto é 50% maior em mulheres do que em homens, principalmente após a menopausa”, afirma Dra. Claudia Regina Bento, especialista em cardiologia, em entrevista ao Jornal Giro.
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Mulheres: cuidados e prevenção
Confira, abaixo, a entrevista completa com a Dra. Claudia sobre motivos, prevenção e sintomas.
Jornal Giro – O infarto acomete principalmente mulheres após a menopausa. Explique.
Dra. Claudia Bento – Depois da menopausa, temos uma queda do estrógeno. Esse hormônio funciona como um vasodilatador, melhorando os níveis de HDL (chamado colesterol bom) e diminuindo os de LDL (colesterol ruim).
Além disso, muitas mulheres estão mais suscetíveis a problemas de saúde devido à chamada jornada tripla de trabalho. Entre responsabilidades profissionais, cuidados com a casa e com a família, a própria saúde acaba ficando em segundo plano. Com a rotina intensa, é comum que sintomas sejam ignorados ou minimizados, e muitas acabam adiando a ida ao médico ao sentir dores, acreditando se tratar apenas de um incômodo passageiro nas costas ou no estômago. E, pode ser tarde, resultando em um infarto, inclusive fulminante.
Há também a questão genética, ou seja, pessoas da família que possuem antecedentes de doenças cardiovasculares. Hoje, temos visto até pessoas mais jovens, antes mesmo dos 50, tendo infarto. Mas, isso tem a ver com o estilo de vida, o estresse, o uso, às vezes, de anabolizante.
Jornal Giro – O uso de anticoncepcional influencia em um possível infarto?
Dra. Claudia Bueno – Mulheres que fumam e usam anticoncepcional têm um risco três vezes maior de ter um infarto.
Jornal Giro – E a reposição hormonal também pode ser o gatilho?
Dra. Claudia Bueno – Vamos entrar em outro caso polêmico. Sabemos que até antes da menopausa, o hormônio tem um efeito vasodilatador, como comentamos anteriormente, além de manter o diâmetro das coronárias em ordem pela vasodilatação.
Porém, a reposição pode ser necessária na menopausa já que há uma queda abrupta desses hormônios. Mas, fazer a reposição em uma etapa na qual eles já estão muito baixos e quando a mulher possui mais de 60 anos, há um maior risco cardiovascular.
É preciso pesar na reposição hormonal os riscos e benefícios, a idade na qual a mulher se encontra. Em uma menopausa precoce, quando ela já iniciou o quadro de climatério antes dos 40, aí vale a pena, realmente, a reposição.

Jornal Giro – Quais são os sinais de que a mulher possa estar em princípio de infarto?
Dra. Claudia Bento – Primeiramente, a mulher deve observar os antecedentes familiares. Quando há histórico de doenças cardiovasculares precoces na família — como pai ou mãe que sofreram infarto antes dos 60 anos ou tiveram AVC — o risco de desenvolver problemas cardíacos também tende a ser maior.
Muitas vezes, especialmente nas mulheres, o infarto não se manifesta com os sintomas clássicos, como a dor intensa no peito. Em alguns casos, os sinais podem surgir de forma mais sutil, como dores nas costas e no estômago.
Por isso, é fundamental não ignorar esse tipo de sintoma e buscar avaliação médica. A recomendação é procurar um cardiologista, principalmente para quem possui histórico de doenças cardiovasculares na família. O exame para saber como está o nível de colesterol – intimamente ligado – é primordial.
Avaliar os níveis de colesterol, fator diretamente relacionado à saúde cardiovascular, é um exame essencial para a prevenção de doenças do coração. Depois dos 40, é recomendável acompanhar, pelo menos, uma vez por ano. Quem tem antecedentes familiares ou colesterol mais alterado, deve realizar um controle a cada seis meses.
Os sinais de que a mulher pode estar tendo um infarto são:
– Dores fortes no peito
– Cansaço desproporcional
– Falta de ar em pequenos esforços, como subir a escada
– Dores de estômago frequentes
– Náusea
Mesmo na ausência de sintomas, é fundamental avaliar os fatores de risco para doenças cardiovasculares. Acompanhar indicadores como pressão arterial, níveis de colesterol, presença de diabetes e o peso corporal é essencial para a prevenção.

Jornal Giro – A obesidade está ligada a problemas cardiovasculares?
Dra. Claudia Bento – Outra preocupação é a obesidade, que aumentou cerca de 65% entre as mulheres na última década. Atualmente, estima-se que um terço da população mundial esteja obesa.
Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas mais velhas buscando a prática de atividades físicas, observa-se um movimento contrário entre crianças e adolescentes, que estão cada vez menos ativos. O tempo que antes era dedicado a brincadeiras e esportes vem sendo substituído pelo uso excessivo de celulares e outras telas.
Esse sedentarismo precoce pode trazer consequências no futuro, aumentando o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde ao longo da vida.
Jornal Giro – Qual o seu recado para as mulheres?
Dra. Claudia Bento As mulheres devem estar atentas aos sinais do próprio corpo e dar a devida importância a sintomas que, muitas vezes, são ignorados. Especialmente a partir dos 60 anos, quando o risco de mortalidade por problemas cardiovasculares é maior. Cuidar-se, principalmente, depois da menopausa é fundamental. Não negligencie a própria saúde e busque acompanhamento médico regular, mantendo sob controle fatores de risco importantes.
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