Metrô em Osasco: cidade será passagem, mas destino estratégico é a Granja Viana, apontam estudos e histórico do projeto.

A recente divulgação de obras de mobilidade em Osasco voltou a alimentar discursos políticos atribuindo à atual gestão municipal protagonismo na chegada do Metrô à cidade. Entretanto, uma análise do histórico do projeto e dos estudos sobre a expansão da malha metroferroviária indica um cenário diferente: Osasco integra o traçado por uma necessidade técnica e geográfica, enquanto o principal vetor da expansão está voltado ao eixo da Raposo Tavares e da Granja Viana.

A reportagem “A Granja Viana que o Metrô encontrou”, publicada pelo Portal Granja Viana, destaca que a expansão do sistema atende principalmente à explosão populacional e ao desenvolvimento urbano daquela região, considerada hoje um dos maiores polos residenciais e econômicos do oeste da Grande São Paulo.

Osasco é caminho, não destino

Especialistas em planejamento urbano explicam que grandes obras metroferroviárias raramente são definidas por interesses municipais isolados.

No caso da futura ligação com a Granja Viana, a geografia da região praticamente impõe que o traçado utilize o território de Osasco antes de seguir em direção a Cotia. Isso faz da cidade um corredor natural para a expansão da linha, e não necessariamente seu principal objetivo estratégico.

Em outras palavras, o metrô passa por Osasco porque esse é o caminho tecnicamente mais viável para alcançar a região que concentra a maior demanda futura de passageiros.

Obras de mobilidade não significam autoria do projeto

A Prefeitura de Osasco vem executando importantes intervenções viárias, como a Transversal Norte e a ligação entre as avenidas Presidente Médici e Presidente Kennedy, obras que melhoram significativamente a circulação local e a integração dos bairros do Rochdale, Canaã, Aliança e Piratininga. Essas intervenções fazem parte de um amplo programa de urbanização iniciado anos antes e possuem objetivos próprios de mobilidade urbana e infraestrutura.

No entanto, essas obras não constituem evidência de que a Prefeitura tenha sido responsável pela concepção ou decisão da expansão do Metrô. Projetos dessa natureza são definidos pelo Governo do Estado de São Paulo, com base em estudos técnicos, demanda de passageiros, viabilidade econômica, impactos ambientais e planejamento metropolitano.

O papel político

É comum que prefeitos acompanhem anúncios, assinem convênios e participem de agendas institucionais relacionadas a grandes obras estaduais ou federais realizadas durante seus mandatos. Isso, porém, não significa necessariamente que tenham idealizado ou conduzido esses projetos.

Sob essa perspectiva, Rogério Lins e o atual prefeito Gerson Pessoa podem ser vistos como gestores que acompanham uma obra cuja implantação coincide com seus períodos de governo. Atribuir exclusivamente a eles a chegada do Metrô, contudo, extrapola o que pode ser demonstrado pelos documentos públicos disponíveis.

Não há elementos públicos que indiquem que a definição do traçado ou a decisão estratégica de expansão tenha partido da administração municipal de Osasco. Essas competências pertencem ao Estado, responsável pelo planejamento e execução da rede metroferroviária.

Ano eleitoral amplia disputa pela narrativa

Em períodos pré-eleitorais, é comum que obras estruturantes sejam utilizadas como vitrine política. A associação da imagem de gestores a projetos de grande impacto costuma gerar dividendos eleitorais, ainda que muitas dessas iniciativas tenham sido planejadas durante anos, atravessando diferentes governos municipais, estaduais e até federais.

No caso da expansão rumo à Granja Viana, a coincidência entre o avanço do projeto e o mandato da atual administração cria um ambiente favorável para a construção dessa narrativa política, embora a origem e a finalidade da obra sejam mais amplas do que o contexto local de Osasco.

Conclusão

Os fatos públicos indicam que:

  • a expansão do Metrô atende principalmente ao crescimento da região da Granja Viana e do eixo da Raposo Tavares;
  • Osasco integra o percurso por razões de planejamento territorial e engenharia, funcionando como corredor de ligação;
  • as obras executadas pela Prefeitura de Osasco são importantes para a mobilidade local, mas são distintas do processo de decisão sobre a expansão do Metrô, que compete ao Governo do Estado;
  • atribuir exclusivamente à atual gestão municipal a “chegada do Metrô” não encontra respaldo apenas pelo fato de a obra ocorrer durante seu mandato, sendo mais preciso afirmar que a administração participa da fase de implantação de um projeto de alcance metropolitano.

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